A Felicidade (algumas reflexões)

I


A minha vida tem sentido, tem significado.
Sem um objectivo claro, definido, a nossa vida é como um barco à deriva no oceano da nossa breve passagem pela terra…


II


“A imaginação é tudo. É uma visão prévia de todas as atracões futuras da vida.”
Albert Einstein

Uma música triste evoca recordações ou uma recordação associada, tal como uma música, pode ser uma imagem, uma pessoa, etc. O pensamento corre como um rio onde a água está ligada entre si… Um pensamento leva a outro, penso que é impossível cometer suicídio no momento seguinte a que desfrutámos de um momento de bom humor ou prazer… Cabe a nós dirigir esse fluxo (?)
Uma estratégia passa pela materialização de pensamentos agradáveis, criar, evocar uma linha de pensamentos positivos…
Tal como num palco, na mente decorrem os actos, os ensaios, que advêm do nosso processo mental.


III


Ser-se competitivo pode ser arrasador, encarar cada ser humano como um adversário, enfrentar tudo e todos numa cegueira extrema, não me parece ser a fórmula de aceder à felicidade. Estamos mais ligados do que temos consciência. Serão os pés mais importantes do que as mãos?
Colocar o nosso ego acima dos outros é simplesmente absurdo, ou vice-versa, abro uma excepção à concepção de Deus como ideia, crença ou realidade.
Durante o nosso percurso caímos… Mas o “fracasso” numa visão optimista de loucura ou de pura sanidade pode gerar a nossa realização pessoal.
A cruz.


IV


O conjunto dos nossos objectivos deve apontar numa mesma direcção (a luz ao fundo do túnel), para que não venhamos a ser uma identidade distorcida e desprovida de razão.
Empenho-me a 100 % na arte que crio, nunca a 110 %, suponho, pois dessa forma estaria a subtrair 10% a outro nível da minha vida que, provavelmente ficaria fraccionado, como exemplos: a família, os estudos…
Somos energia, facto provado cientificamente e como tal, devemos viver essa energia com sabedoria.
Não possuo tudo o que desejo, mas desejo uma grande parte daquilo que tenho, tenha objectivos modestos ou elevados tento não me abstrair da realidade, esforço-me por melhorar sem a obsessão de ser perfeito…


V


Estou grato pelo que tenho, pelos meus “símbolos” de status quo…
Quer se trate de bens materiais ou não…
Saber agradecer é algo importante no caminho da felicidade, não possuo um FERRARI, símbolo de ostentação para muitos, uma prolongação do ego (?) O meu veículo é um RENAULT CLIO de 1992, não há necessidade de me lamentar a Deus ou ao diabo, os bens materiais não devem ser um entrave à verdadeira segurança. Não devemos comparar os bens materiais que possuímos, ou o nosso valor como seres humanos, aos valores de outros seres, sejam materiais ou não. Sentimentos/pensamentos de insegurança ou inferioridade, não alteram de forma benéfica a “realidade” e, podem ser uma fonte de enormes frustrações.
A verdadeira segurança, o nosso tesouro real, é o estado de espírito que criámos, não advém de bens materiais, pois esses vêm e vão. Quando partimos, concluímos que são neutros, no entanto, o que fazemos com eles já é relativamente importante.
Os relacionamentos pessoais são das coisas mais gratificantes que temos durante a vida. A amizade e o amor são bens gratuitos, não se compram, se, formos bem sucedidos na carreira, mas vivermos uma existência com total ausência de amizade e amor isso é ser-se bem sucedido? Um pobre que recorre ao Banco Alimentar, mas que se vê rodeado de amor e amizade e expressa gratidão, é um fracassado?
Não vencemos um amigo, um familiar ou a pessoa amada, vencemos por termos relacionamentos de afecto com essas pessoas.
Na sociedade de hoje ainda existe muita dificuldade em mostrar emoções provavelmente porque nos ensinaram e aprendemos que as emoções nos tornam vulneráveis.
Aceitando a possibilidade de sermos uma criação divina, a nossa natureza será divina, como tal se a divindade é Amor, nós somos partículas desse Amor, o ódio, insegurança, as experiências negativas de repressão, sofrimento… são meras crostas de uma ferida ou cicatrizes, estigmas, que não devem ofuscar a nossa verdadeira essência.


VI


Apercebi-me que em parte a humanidade tornou-se máquina…
O telemóvel um novo membro inseparável do corpo, sempre disponível para “comunicar”, o carro sempre presente para as deslocações, as pernas a agoniarem imploram um pouco de jogging ou subir umas escadas, mas o elevador está ao alcance de um clique, e a internet… Hum! A timidez desfaz-se da capa centenária, amizade online, amor online, sexo online… Que pseudo paraíso construímos? Ainda há quem olhe o outro na alma, ou nos olhos?
Quero “regredir” ao meu estado selvagem, ouvir escutando, ver olhando, respirar sentindo os aromas que me rodeiam sem ser obrigado a aceitar os que me incomodam e quero tocar e abraçar a natureza… E, saborear como se não existisse amanhã “Carpe Diem”.
Eu não sou a minha casa, o extracto da minha conta bancária, O meu carro, computador, etc. A construção de um ego idolátrico parece não terminar, na realidade estamos a construir prisões para as nossas almas ou essência.


VII


“ Nós não somos seres humanos a viver uma experiência espiritual; nós somos seres espirituais a viver uma experiência humana.”
Pierre Teilhard de Chardin (místico cristão)

O patriotismo reduziu-se ao tamanho de uma bola de futebol…
No pior dos casos à xenofobia e racismo.
O meu país não conhece fronteiras, Portugal só me adoptou aos cinco anos.
É necessário fugir dos condicionamentos a que nos querem subjugar sejam por parte da família, da religião, da política, ideias nefastas que ganharam vida por exemplo através do fascismo, comunismo, socialismo (?)
Será assim tão importante apegarmo-nos a uma máscara? Ninguém questiona a nossa identidade? Andámos a tentar gerar a ideia de sucesso e fracasso, prestígio social e económico, quimeras…
O fado, tão tipicamente português, somos bombardeados por notícias de catástrofes, tragédias, raramente o noticiário é agradável, o universo devolve-nos aquilo em que pensamos, é urgente pensar positivo… A capacidade de sorrir deve ser exercida como o acto de respirar.


VIII


Há um provérbio que diz: «Quer aches que és capaz ou que não és capaz, tens sempre razão.»
A capacidade de criar seja o que for é acompanhada pela confiança de que realmente temos essa capacidade, acredito em mim, mas não me coloco num pedestal, as minhas capacidades não me devem isolar dos outros, mas ligar, aprendemos com todas as pessoas…
As pessoas convictas de que estão absolutamente certas são praticamente impossíveis de abalar, de se deslocarem para outros pontos de vista.

Exposição de Arte colectiva: “A Liberdade: mesmo conceito, expressões diversas'' Junta de Freguesia de Sebolido



Exposição de Arte colectiva:
“A Liberdade: mesmo conceito, expressões diversas''
Junta de Freguesia de Sebolido

Untitled II (Díptico) In Memoriam Amedeo Modigliani


Untitled II (Díptico) In Memoriam Amedeo Modigliani
Acrilic on canvas
Private Collection ( Cascais ) ;o)
Como um condenado na ala da morte
Contemplo a vida a Preto e Branco.
A morte,
É a noite dos incultos,
O elixir dos sábios deste mundo,
Que não acordam.
...................................................................
Come un condannato nel braccio della morte
Contemplo la vita di Bianco e Nero.
La morte,
E 'la notte di brughiera,
La elisir di saggi di questo mondo,
Ciò che non è d'accordo.
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"You are not alive unless you know you are living."
Written on the wall of one of Modigliani's studios

Paleta do Vício / Poetália Molói


''Exposição de pintura colectiva 21 de Junho a 5 de Setembro 2008 PALETA DO VÍCIO Anualmente a Vício das Letras organiza uma exposição colectiva, para a qual convida alguns dos artistas que já expuseram no seu espaço. Para a edição deste ano o desafio lançado aos artistas foi o de representarem o vício! Os artistas convidados terão total liberdade para, através de uma obra, definirem o vício. Este pode ser o seu ou o dos outros, pode ser o Vício ou um vício, pode ser um daqueles vícios destrutivos ou aquele vício saudável que nos mantém vivos! Porque afinal (ainda) há muitos vícios saudáveis! A lista dos artistas que participarão na Paleta é (ainda) surpresa! A entrada é livre para todos os viciados.A Vício das Letras e o poeta Paulo Luiz Barata, convidam-no para o lançamento do livro: Poetália Molói , dia 21 de Junho, às 16h00 O artista brasileiro Paulo Barata (que escreve com pseudónimo Moloi) regressa a Portugal depois de alguns meses no Brasil, onde terminou o livro “Poetália Moloi”. Tendo em 2007 apresentado na Vício das Letras o seu anterior livro, “a arca de poÉ”, volta agorapara fazer o lançamento da sua mais recente obra. Sobre Moloi, escreveu a escritora Dulce Tupy: “O poeta Paulo Luiz Barata nunca foi um escritor nos termos convencionais. Pelo contrário. Tem na poesia a sua âncora criativa, mas já voou nas asas do Super 8, na fase underground dos anos 70, viajou nas publicações de contracultura, como Arjuna, realiza pequenos clips, vídeos no seu telemóvel. Vale tudo, quando se é criativo, como Paulo. Tudo é criação, invenção, geração. Autor do livro de poemas visuais Leve Lave Love, lançado na Bahia e A arca de poÉ, lançado em Portugal, Paulo acabou de publicar o seu novo Poetália Moloi, com capa inspirada numa aguarela da sua mãe, a artista plástica Tiziana Bonazzola (...)”.Durante a sessão será rifada a obra “ A ARTE DE BEM CONFESSAR”, editado em Lisboa em 1806 por um padre italiano e traduzido para português por um frade. O livro PANAMERICA do José Agrippino de Paula, será sorteado entre os que comprarem o livro “Poetália Molói”.
ENTRADA LIVRE!Local:Vicio das Letras - Liv e Actividades Culturais Lda.Rua José Correia de Sá, 594520-208 Feira tel:256 364 627http://www.viciodasletras.com’’/

Texto citado na integra dos convites para o evento.