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O mergulho do peixe lítio, no oceano da dualidade

O mergulho do peixe lítio, no oceano da dualidade   Soam doze badaladas no coração vermelho de pelúcia, nesse instante, a realidade dissolve-se em estrelas verdes de esperança, cruzada por um tubarão violeta que nada de costas e a gaivota branca assustada refugia-se na companhia de um pálido dinossauro ocre, cansado de brincar e com ânsias de dormir.  Um boneco de neve migratório percorre os céus, no dorso de um porco alado, que conhece cada nuvem, como a palma dos seus chispes, no mapa, uma máscara, um gato... e a lua extenuada, sobe a montanha à procura do coelho Peter deslumbrado pela rosa azul que exala uma auréola de pólen branco, fruto dos beijos de uma joaninha enamorada.  Sob o olhar atento de uma águia mãe, que guarda ciosamente os seus ovos, na barbatana de um peixe descapotável, quatro medusas dançam embriagadas por um desejo voraz de ovos à la coque, nas profundezas da mente e mossa não faz às galinhas.  O mergulho do peixe lítio, no oceano da dualidade fez-se naquela noite, entre caracóis e tartarugas o tempo, esse escultor de memórias, respirava serenamente e ouvia duas pombas níveas anunciando a paz e uma cabeça de porco boiava feliz.  O ouriço de picos em pé, procurava refúgio num velho coral branco e pérolas eram carregadas, no seio de três conchas sob a supervisão de um corpulento leão marinho, até ao rochedo onde nascia uma cabrinha amarela, filha de uma semente de girassol.  E o sapo canta em dias de chuva.    Paulo Fontes



O mergulho do peixe lítio, no oceano da dualidade
Ano: 2025
Acrílico sobre tela, 75,5 x 70 cm



O mergulho do peixe lítio, no oceano da dualidade


Soam doze badaladas
no coração vermelho de pelúcia,
nesse instante,
a realidade dissolve-se em estrelas verdes de esperança,
cruzada por um tubarão violeta que nada de costas
e a gaivota branca assustada
refugia-se na companhia de um pálido dinossauro ocre,
cansado de brincar e com ânsias de dormir.

Um boneco de neve migratório percorre os céus,
no dorso de um porco alado,
que conhece cada nuvem,
como a palma dos seus chispes,
no mapa, uma máscara, um gato...
e a lua extenuada, sobe a montanha
à procura do coelho Peter deslumbrado pela rosa azul
que exala uma auréola de pólen branco,
fruto dos beijos de uma joaninha enamorada.

Sob o olhar atento de uma águia mãe,
que guarda ciosamente os seus ovos,
na barbatana de um peixe descapotável,
quatro medusas dançam embriagadas por
um desejo voraz de ovos à la coque,
nas profundezas da mente
e mossa não faz às galinhas.

O mergulho do peixe lítio, no oceano da dualidade
fez-se naquela noite, entre caracóis e tartarugas
o tempo, esse escultor de memórias,
respirava serenamente e ouvia
duas pombas níveas anunciando a paz
e uma cabeça de porco boiava feliz.

O ouriço de picos em pé,
procurava refúgio num velho coral branco
e pérolas eram carregadas, no seio de três conchas
sob a supervisão de um corpulento leão marinho,
até ao rochedo onde nascia uma cabrinha amarela,
filha de uma semente de girassol.

E o sapo canta em dias de chuva.



Paulo Fontes







Poema (descrição da obra) dadaísta surrealista, ambos publicados na revista Lavra Boletim de poesia, no nº 43, a obra encontra-se em digressão.



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